domingo, 10 de abril de 2011

Aleijadinho, um artista heróico

Esta é a unica imagem encontrada que retrata o mestre Aleijadinho.

Antônio Francisco Lisboa, eternizado como Mestre Aleijadinho. Entalhador, escultor, arquiteto e para muitos, artista artesão, que durante o antigo Brasil de Portugal encantou, e até hoje encanta os olhares de milhares de pessoas, ao se penetrar e encantar com os detalhes divinos das obras de um homem que criou arte e superou desafios.

Filho mestiço da negra escrava Isabel com um talentoso arquiteto português, e sobrinho de um entalhador,  seu talento pode se justificar na sua hereditariedade e no contato artístico que recebeu desde infância, mas é irrecusável negar todo seu dom e inspiração.

Viveu na época do enriquecimento de Vila Rica, atual Ouro Preto, com o descobrimento e rota de todo o ouro explorado. E através da arte barroca vinda de Portugal e com um toque de Rococó, Aleijadinho encheu nossas igrejas mineiras de uma infinidade de detalhes surpreendentes, e ouro, é claro.

Sua vida profissional deixou marcas em sua obra, e assim foi bem explorada pelos historiadores. Porém pouco se sabe de sua vida intima. Apaixonou-se pela mulata Narcisa e com ela teve seu único filho. Com suas obras não enriqueceu-se, pois como diz a lenda, era desleixado e vivia sendo roubado. Mas ao mesmo tempo se mostrava solidário, doando parte do que ganhava aos mais pobres. Tinha somente três escravos: Maurício, o qual dividia seus lucros, pois era seu principal ajudante; Agostinho, auxiliar de entalhes e Januário, o guiador de seu burro.

Reprodução da revista Kósmos, de uma tela posteriormente desaparecida .
Retrata uma cena na vida do artista em um momento de criação. 

Quando completa 40 anos de idade, essa história envolta de mitos e lendas, se torna triste e ao mesmo tempo surpreendente. Aleijadinho sofre uma doença grave e degenerativa e assim é apelidado. Aos poucos, seu corpo se degenera e deforma. Perde continuamente todos os dedos da mão, em exceção o polegar e o indicador. Sua perna perde todos os movimentos. E para de se locomover, o mestre se arrastava de joelhos e os protegia com dispositivos de couro. Além disso sua face também foi se modificando e tornando a imagem de Aleijadinho monstruosa. Usava roupas longas para esconder suas deformações e um chapéu longo para ocultar sua cara grotesca. Trabalhava a noite e envolto de toldos, assim sua presença não seria notada. Produzia suas obras, amarrando suas ferramentas básicas de esculpir no punho. Apesar do sucesso profissional como artista, Aleijadinho se revoltava com sua própria aparência, assim se condenando. Mas a motivação pela arte, a vontade de produzir e criar, levava o mulato além de seus limites. Nos seus últimos anos de vida, em repouso em cama, Aleijadinho implora a Cristo sua morte, de tão forte dor que o aterrorizava, morrendo heroicamente.

Assim morre um artista, um mestre, um exemplo de superação, considerado pela história, o maior artista barroco americano.  Para nós uma superação pela arte, que ao passar de anos e anos deixa seu legado histórico de embasbacar. Podemos afirmar com esse belo exemplo mineiro que nada é impossível, quando se tem vontade.

E o profeta de Congonhas guarda a casa de Deus, e os olhos do mestre zela suas obras no límpido horizonte...















O Sobrado, admira Aleijadinho como artista mineiro e apresenta em seu acervo obras relacionadas ao mestre.

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