quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Vale do Jequitinhonha - Mestra Isabel

"Cabe a mulher a cerâmica, pois a argila de que são feitos os potes é fêmea
              como a terra e, em outras palavras, tem alma de mulher"  (Lévi-Strauss)


Situado no Norte de Minas Gerais, abraçada com o Nordeste, o Vale do Jequitinhonha é uma das regiões mais pobres do país. Terra de sol escaldante, de gente simples, guerreira, que combatem a sua própria sobrevivência; de cultura cativante de índios a negros; de belezas naturais exitantes; lugar com sutaque de baiano; de exemplos a serem seguidos; terra seca onde o rio do Jequitinhonha jorra a água da esperança, e a luta de um povo valente.

Entretanto, não há nada mais belo nessa mesorregião, formada por 51 municípios, do que sua gente. Não há palavras que descrevam, tamanha garra desse povo de fibra. Este povo tão criativo e ilusitano,  há algum tempo descobriu como um dom, a forma mais magnífica de sustento, o artesanato. Homens e mulheres, tranformam o barro, com mãos de artista, e genialidade de mestres, em cerâmicas de tamanho explendor.


Uma das figuras mais respeitadas do Vale, é a fantástica Mestra Isabel. Aos 86 anos de expêriencia, Dona Isabel, foi uma das primeiras bonequeiras do Jequitinhonha. Filha de uma louçeira, ela passou sua infância com o desejo de ter uma boneca, ficava horas imaginando como seria aquele brinquedo tão desejado. Insatisfeita  com essa situação, usou toda a sua criativida, e como Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, Dona Isabel descobriu seu instrumento de fascinação: o barro. Enfim, resolveu seu problema, sua angustia, criou uma boneca, da sua maneira.

Anos depois já casada e depois viúva, Dona Isabel, no esforço de criar seus filhos, fugindo das dificuldades de ganhar o pão de cada dia no trabalho na roça, passou a produzir potes, travessas, figuras de presépios, que eram vendidas nas feiras da região em Padre Paraíso, Itinga, Itaobim e Santana do Araçuaí.  Em entrevista à pesquisadora Mello e Souza, Isabel  conta que sentia grande prazer em fazer uma peça bem feita, e que "o povo tinha era um encante quando eu fazia... aquelas coisas mais bonitas, aqueles galinhos e presépios..."

Após um longo tempo, quando tinha 44 anos, Dona Isabel foi plantando seu reconhecimento no Brasil e no mundo, através de suas mais nobres criações, suas encantadora bonecas. Vindas, suponho,  de uma grande nostalgia do seu passado, se revelou um trabalho inspirado em  imagens representando o povo da região em noite de gala, especialmente mulheres, em diversas situações especiais do cotidiano: Noivas vestidas de branco com arranjos e buquês, noivos elegantemente vestidos com terno e gravata, madrinhas, grávidas amamentando, preparativos para festas, procissões.  Um sonho alimentado pela aquela gente, que em toda sua pobreza, se idealiza com o luxo e glamour. Em seu trabalho, Dona Isabel não utiliza tinta e sim uma técnica a base de mistura de água e barro. 

Aquela simples mulher, mãe de muitos filhos, guerreira de sobrevivência, com o passar dos anos foi valorizando seu trabalho cada vez mais. Em 2004 Dona Isabel ganhou em 1º lugar o prêmio UNESCO de artesanato concorrendo em toda a América Latina e Caribe. Hoje quem quer adquirir suas bonecas tem que pagar uma fortuna e entrar numa enorme fila.
Bem, hoje, Dona Isabel, só merece o nosso respeito e a nossa admiração.
 

 
Esta é a boneca que ganhou o prêmio internacional da UNESCO
Dona Isabel não para, além de produzir peças ainda repassa o seu legado para novas e novos artesãos. O Sobrado admira esses artesãos de fibra do Jequitinhonha e disponibiliza a venda várias peças destas grandes figuras.

OBS.:Vamos postar sobre novos artistas do Vale! Aguarde!



Um comentário:

  1. Maravilhoso o trabalho de D. Isabel, suas bone-
    cas são muito lindas.
    Parabéns e que Deus a abençõe mais e mais.
    Obrigada a vcs por divulgarem estas pessoas ma-
    ravilhosaS e sua arte.
    Beijo

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